Atualizado em 04 de agosto de 2010
Pesquisa revela número da violência contra a mulher na Paraíba
Os relatos de ameaça e a não dependência financeira de seus
agressores são os principais destaques do perfil da violência doméstica
da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, da Secretaria de
Políticas para as Mulheres (SPM). Os dados são inéditos e correspondem
aos atendimentos de janeiro a junho deste ano. Nesse período, o Ligue
180 registrou 343.063 atendimentos - um aumento de 112% em relação ao
mesmo período de 2009 (161.774).
As ameaças foram verificadas em 8.913 situações. É a segunda maior
manifestação de crime relatado pelas cidadãs que acessam a Central,
precedida apenas pelo crime de lesão corporal. Das pessoas que entraram
em contato com o serviço, 14,7% disseram que a violência sofrida era
exercida por ex-namorado ou ex-companheiro, 57,9% estão casadas ou em
união estável e em 72,1% dos casos, as mulheres relatam que vivem junto
com o agressor. Cerca de 39,6% declararam que sofrem violência desde o
início da relação; 38% relataram que o tempo de vida conjugal é acima
de 10 anos; e 57% sofrem violência diariamente. Em 50,3% dos casos, a
mulheres dizem correr risco de morte. Os crimes de ameaça somados à
lesão corporal representam cerca de 70,0% dos registros do Ligue 180.
Dados da Segurança Pública também apontam estes dois crimes como os de
maior incidência nas Delegacias. O percentual de mulheres que declaram
não depender financeiramente do agressor é de 69,7%. Os números mostram
que 68,1% dos filhos presenciam a violência e 16,2% sofrem violência
junto com a mãe.
“A voz de uma mulher que reporta estar sendo ameaçada tem de ter
credibilidade. Pois só a vítima é quem tem a real dimensão do risco que
corre”, declarou a subsecretária Enfrentamento à Violência contra as
Mulheres, da SPM, Aparecida Gonçalves.
Ranking nacional - Em números absolutos, São Paulo
lidera o ranking com 47.107 atendimentos, seguido pela Bahia com
32.358. Em terceiro lugar aparece o Rio de Janeiro com 25.274 dos
registros. A procura pelo Ligue 180 é espontânea e o volume de ligações
não se relaciona diretamente com a incidência de crimes ou violência. A
busca pelo serviço reflete a um maior acesso da população a meios de
comunicação, vontade de se manifestar acerca do fenômeno da violência
de gênero, ao fortalecimento da rede de atendimento às mulheres e ao
empoderamento da população feminina local.
Tabela
| UF |
LIGAÇÕES |
UF |
LIGAÇÕES |
|
SP
|
47.107
|
AL
|
5.722
|
|
BA
|
32.358
|
RN
|
5.104
|
|
RJ
|
25.274
|
PB
|
4.465
|
|
MG
|
22.951
|
SC
|
4.023
|
|
PA
|
17.454
|
MT
|
3.957
|
|
PR
|
15.436
|
SE
|
3.849
|
|
PE
|
12.213
|
MS
|
3.494
|
|
RS
|
11.490
|
TO
|
3.156
|
|
MA
|
10.133
|
RO
|
1.795
|
|
GO
|
8.939
|
AM
|
1.620
|
|
DF
|
7.151
|
AP
|
998
|
|
CE
|
7.083
|
AC
|
678
|
|
PI
|
6.484
|
RR
|
408
|
|
ES
|
5.922
|
-
|
-
|
População feminina - Quando considerada a
quantidade de atendimentos relativos à população feminina de cada
estado, o Distrito Federal é a unidade da federação que mais entrou em
contato com a Central, com 267 atendimentos para cada 50 mil mulheres.
Em segundo lugar aparece o Tocantins com 245 e em terceiro, o Pará, com
237.
|
UF
|
População Feminina PNDA 2008
|
Ligações a cada 50.000 mulheres
|
UF
|
População Feminina PNDA 2008
|
Ligações a cada 50.000 mulheres
|
|
DF
|
1.338.000
|
267
|
PR
|
5.463.000
|
141
|
|
TO
|
644.000
|
245
|
PE
|
4.518.000
|
135
|
|
PA
|
3.687.000
|
237
|
MT
|
1.474.000
|
134
|
|
BA
|
7.373.000
|
219
|
RO
|
756.000
|
119
|
|
PI
|
1.606.000
|
202
|
PB
|
1.965.000
|
114
|
|
SE
|
1.062.000
|
181
|
MG
|
10.236.000
|
112
|
|
AL
|
1.633.000
|
175
|
SP
|
21.089.000
|
112
|
|
ES
|
1.764.000
|
168
|
RS
|
5.584.000
|
103
|
|
AP
|
311.000
|
160
|
RR
|
203.000
|
100
|
|
RN
|
1.601.000
|
159
|
AC
|
346.000
|
98
|
|
MA
|
3.207.000
|
158
|
CE
|
4.349.000
|
81
|
|
RJ
|
8.314.000
|
152
|
SC
|
3.102.000
|
65
|
|
GO
|
2.967.000
|
151
|
AM
|
1.716.000
|
47
|
|
MS
|
1.214.000
|
144
|
-
|
-
|
-
|
Lei Maria da Penha - Do total de informações
prestadas pela Central (67.040), 50% correspondem à Lei Maria da Penha
(33.394). Durante os quatro anos de existência, o Ligue 180 registrou
1.266.941 atendimentos. Desses, 30% correspondem a informações sobre a
legislação (371.537).
Tipos de violência - Dos 62.301 relatos de
violência, 36.059 correspondem à violência física; 16.071, à violência
psicológica; 7.597 à violência moral; 826 à violência patrimonial; e
1.280 à violência sexual, além de 229 situações de tráfico e 239 casos
de cárcere privado.
Perfil das mulheres - A maioria das mulheres que ligam para a Central têm entre 25 e 50 anos (67,3%) e com nível fundamental (48,3%) de escolaridade.
Perfil dos agressores - A maioria dos agressores têm entre 20 e 45 anos (73,4%) e com nível fundamental (55,3%) de escolaridade.
Clique aqui e confira a tabela com os dados completos da Central por Estado, tipo de crime e violência.
Da ascom SPM