Na maioria dos municípios de Pernambuco onde a comunidade evangélica está acima da 30% da população, a ex-candidata do PV à presidência da República Marina Silva foi a segunda mais votada. Em 66,6%, ou seja em 14 das 21 cidades do estado com mais evangélicos, Marina surpreendeu - revela um mapeamento feito pelo Diario a partir de um cruzamento de dados da Justiça Eleitoral, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério de Apoio à informação (Mai), ong evangélica coordenada pela matemática Eunice Zillner. Essa conclusão sobre o voto religioso em Pernambuco pode ser um ponto de partida para se descobrir onde estão os eleitores de Marina, os mais cobiçados da campanha de segundo turno entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB).
o auxiliar de trabalho da Assembleia de Deus do Curado IV Guilherme Alves. Foto: Juliana Leitão/DP/D.A Press |
Em Jaboatão, onde Guilherme e Marise residem, 39% das pessoas declaram-se evangélicas. Lá, pode-se confirmar a tese sobre a suposta influência do evangélicos na "onda verde": Marina conseguiu 33% da votação total e desbancou Serra (16,6%). Em Paulista, na qual os evangélicos representam 36% da população, o mesmo aconteceu. A candidata do PV ficou com 31%. Outra cidade em que ela teve boa votação foi Abreu e Lima. Conhecida como "a cidade dos evangélicos" pelo número de igrejas instaladas e por ter 46% dos cidadãos integrando igrejas com esse perfil, Abreu e Lima deu 26% dos votos válidos para Marina.
Nas três, todas na Região Metropolitana do Recife, o percentual da candidata do PV superou a média estadual dos votos dela, onde ficou em terceiro lugar (19,3%). Nas cidades de pequeno porte distante da capital e onde há mais evangélicos, o percentual dela também fica acima das taxas observadas em municípios com pouca densidade populacional. Por exemplo, em Itaquitinga (Zona da Mata), com 41% de evangélicos segundo o IBGE, Marina obteve 18,6%.
A dona de casa Marise Lima. Eles são alguns dos eleitores mais disputados do segundo turno da disputa presidencial |
Para o cientista político e bispo da Igreja Anglicana no Nordeste, Robinson Cavalcanti, os concorrentes ainda não se deram conta do potencial dos evangélicos. Segundo ele, Dilma ou Serra precisam perceber o peso desses eleitores e os valores históricos que eles levam consigo. "Estamos num momento de compreensão desses novos paradigmas e, quem não se der conta disso, sairá prejudicado da eleição", afirma o bispo e ex-coordenador do mestrado de ciências políticas e ex-diretor do centro de filosofia da UFPE. "Para mim, o discurso que sensibilizará esse eleitorado é o que caminha para o social-progressista e de uma lógica moral conservadora", avisa. Robinson lidera cerca de cinco mil membros de 47 igrejas ligadas à sua diocese (Leia entrevista).
Onde estão os votos de Marina
Do Diário de Pernambuco
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